Cuidado com o que se deseja

O fim da escala 6×1, caso aprovado pelo Congresso, pode acelerar a automação e provocar mudanças no mercado de trabalho brasileiro, segundo o editorial. O texto aponta que a adoção de novas tecnologias pode se ampliar em serviços como o comércio.

Como contexto, o editorial cita uma indústria de Diadema (SP) que fabrica caixas de autoatendimento para supermercados, atacados e atacarejos. A demanda por esses equipamentos já crescia antes da promulgação da emenda constitucional mencionada no texto.

Empresas com pouco capital de giro ou sem acesso a crédito barato podem reduzir o horário de funcionamento e repassar custos aos consumidores. Já negócios em situação financeira mais confortável podem considerar a automação, enquanto trabalhadores enfrentam mudanças na procura por mão de obra.

escala 6x1

O editorial também aborda os efeitos da tecnologia sobre empregos de baixa qualificação, cuja expansão é apontada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os temas discutidos estão a produtividade e a preparação dos trabalhadores para novas ocupações.

Automação no comércio e respostas das empresas ao custo da jornada

A indústria de Diadema que fabrica caixas de autoatendimento para supermercados, atacados e atacarejos dobrou a produção de um ano para o outro e acumulava 3 mil pedidos, segundo o editorial. A procura já existia antes da promulgação da emenda constitucional mencionada no texto.



Apesar do avanço, ainda são poucas as empresas que oferecem sistemas modernos e simples o bastante para concluir compras sem interferência humana. Em supermercados de grandes capitais, as áreas de autoatendimento vêm crescendo, e um único operador pode auxiliar vários clientes ao mesmo tempo.

O editorial compara esse estágio brasileiro com a adoção de tecnologias em outros países: entregas por drones e carros automatizados já existem em algumas regiões dos Estados Unidos e da China. O autoatendimento também é comum no comércio desses lugares, assim como o abastecimento de veículos pelo próprio motorista e o despacho de bagagens em aeroportos.

Transformação tecnológica, empregos e qualificação dos trabalhadores

Na avaliação do editorial, a automação e a inteligência artificial podem elevar a produtividade, mas também eliminar milhões de postos de baixa qualificação. Esse grupo de empregos está entre os que mais cresceram, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A mudança ligada à escala 6×1 pode acelerar a incorporação de tecnologias, enquanto a mão de obra, já descrita pelo editorial como escassa, tende a ficar mais cara com a redução da jornada. O texto observa que os custos de compra ou aluguel dos equipamentos podem ser elevados no início, mas tendem a cair com a popularização dessas soluções.

Os novos empregos associados à transformação tecnológica exigirão escolaridade e treinamento que, segundo o editorial, a maioria dos trabalhadores brasileiros ainda não possui. A forma como o País enfrentará essa lacuna permanece incerta; o texto situa a discussão sobre esse problema para depois das eleições.



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